A semana passada foi marcada pela visita do presidente norte-americano Barack Obama à Cuba. Em artigo publicado no jornal estatal "Granma", Fidel Castro disse que Cuba não precisa de presente dos Estados Unidos da América e que não esquecerá o passado.

Um dos eventos mais marcantes da tensão entre EUA e Cuba aconteceu no início dos anos 1960 e ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba.

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Fotografia da CIA do míssil núclear "SS-4"[/img]

A Crise dos Mísseis de Cuba foi um dos mais importantes e tensos episódios políticos do período da Guerra Fria envolvendo Estados Unidos da América e União Soviética, e teve a ilha de Fidel Castro como o principal palco do embate. Tudo começou em 1960 quando Nikita Krustchev, então premier da União Soviética, declarou que Cuba representaria os interesses socialistas no continente americano.

Cuba, havia recentemente promovido uma revolução que tinha tirado do poder o ditador Fulgêncio Batista no início de 1959. Batista era considerado um ditador pró-Estados Unidos, de tal forma que a Revolução Cubana, como ficou conhecido o episódio, promoveu a ascensão de partidários contrários ao governo do ditador e também alguns adversários da potência norte-americana. A União Soviética aproveitou as tensões decorrentes do conflito para rapidamente anunciar que defenderia o governo de Fidel Castro contra qualquer ameaça dos EUA.

No intuito de desestabilizar o governo de Fidel, os EUA agiram. A CIA treinou e armou um contingente militar de cubanos, muitos dos quais exilados nos Estados Unidos, e tentou infiltra-los na ilha. O governo de Fidel foi informado da ação e conseguiu capturar e matar a maioria dos invasores. Na época, o governo de Kennedy negou qualquer participação no episódio.

Um pouco mais tarde, no verão de 1962, a crise entre EUA e URSS chegou ao seu ápice com o início do envio de mísseis russos, capazes de carregar ogivas nucleares, para Cuba. O governo norte-americano então ameaçou a pequena ilha de um bloqueio naval caso a URSS continuasse com o envio de tais artefatos, ao mesmo tempo em que promoveu uma campanha diplomática contra ambos.

Os norte-americanos chegaram a estabelecer uma quarentena à ilha, impedindo com que navios entrassem ou saíssem do país. Até então, o estabelecimento de bases soviéticas em Cuba estava sendo monitorada pela CIA sem que isto apresentasse um caráter de ameaça real. Após um período de tensas negociações entre o lado soviético e americano, muitos dos quais refletidos nas discussões do Conselho de Segurança da ONU, Krustchev cedeu, desativando as bases e encerrando o envio de artefatos nucleares a Cuba. Foram, nas palavras proferidas na época, treze longos e tenebrosos dias. Este recuo custou, um pouco mais tarde, o cargo de Krustchev. Cuba foi então totalmente isolada pelos EUA, sofrendo décadas de embargos econômicos.

No jogo das relações internacionais nunca o perigo da eclosão de uma guerra nuclear aberta foi tão cogitado. Os Estados Unidos se prepararam inclusive para invadir a ilha, caso percebessem que os mísseis poderiam se tornar operacionais. Até então, tais superpotências estabeleciam seus embates em um plano meramente retórico, e para os EUA, o perigo nunca fora geograficamente tão próximo de seu território. Assim, a tentativa de invasão da ilha por dissidentes cubanos, a crise envolvendo eles e a União Soviética contra os EUA e os embargos econômicos subsequentes, podem ser os episódios a que se refere Fidel Castro.