Eldorado_dos_Carajas_massacre_by_Latuff2

Créditos: Carlos Latuff/Wikimedia Commons

Charge de Carlos Latuff

O assassinato de 19 trabalhadores rurais ligados ao MST (Movimento Sem Terra) em confronto com a Polícia Militar em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, completa 20 anos no próximo domingo, dia 17 de abril.

O que era um protesto contra a demora na desapropriação de terras acabou em tragédia. O confronte entre cerca de 150 policiais militares e 3.500 sem-terra acabou com 19 pessoas mortas e 63 feridas.

Desde então, em memória aos mortos e em defesa da reforma agrária, o mês de abril passou a ser marcado por manifestações da luta camponesae é chamado e Abril Vermelho.

O massacre

O grupo de sem-terra saiu de Curionópolis e se dirigia à Marabá para reivindicar a desapropriação da fazenda Macaxeira. O grupo bloqueou a rodovia PA-150, principal ligação de Belém com o sul do Pará.

Horas depois, o coronel do Batalhão da Polícia Militar de Marabá, Mário Colares Pantoja, ordenou que 85 PMs fossem ao local para desbloquear a rodovia. Outros 68 policiais saíram de Parauapebas, município vizinho, para se unir ao grupo.
Empunhando foices e pedaços de madeira, os sem-terra passaram a tarde cantando hinos de protesto no meio da pista. Eles se dividiram em dois grupos, que ficavam a 300 metros de distância um do outro. O primeiro destacamento da PM a chegar foi o proveniente de Parauapebas. Os soldados de Marabá chegaram mais tarde.

No fim da tarde, os policiais de Marabá se aproximaram dos manifestantes. Portando escudos e cassetetes, cerca de 15 soldados colocaram-se à frente, organizando uma espécie de "proteção" para os que se posicionavam armados atrás. Os PMs começaram a jogar bombas de gás lacrimogêneo e a fazer disparos para o alto e, em seguida, na direção dos manifestantes. Depois dos primeiros tiros, o grupo dos soldados de Parauapebas também atacou. Os sem-terra se espalharam, tentando fugir. Muitos foram pisoteados e espancados. Os que não conseguiram se esconder na mata foram atingidos pelos tiros.