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Foi uma crise mundial iniciada no ano de 1973 e teve consequências para além do plano econômico. Ela começou a partir da decisão de alguns países, principalmente as nações árabes pertencentes a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), de embargar/cortar o fornecimento de petróleo aos EUA e às potências europeias após eventos acontecidos no Oriente Médio. Segundo os países que encabeçaram o embargo, esta foi uma medida tomada em represália ao apoio que os EUA e a Europa ocidental davam a ocupação, de territórios palestinos por Israel durante a Guerra do Yom Kippur.

A OPEP estabeleceu cotas de produção para seus países membros e, ao mesmo tempo, quadruplicou os preços do barril. Com essas medidas, os países árabes buscaram desestabilizar a economia mundial de modo a reverter o processo de ocupação iniciado por Israel. Tais medidas geraram uma severa recessão nos EUA e na Europa, e consequentemente arruinaram as economias dos países dependentes das nações centrais (Países como Brasil, México, Argentina, por exemplo).

Só no final de 1974 os países industrializados obtiveram um déficit de cerca de US$ 11 bilhões e os subdesenvolvidos de quase US$ 40 bilhões. A grande repercussão internacional se fez sentir de forma quase imediata nos países periféricos, com crises da dívida externa, desvalorizações cambiais, ausência de investimentos estrangeiros, de modo que a economia emergente destes países se não retraiu, pelo menos estagnou.

Nos países da América Latina tais reflexos perduraram até meados da década de 1980 quando se considerou, em muitos países, que a década de 1980 era a ‘década perdida’. Todo esforço de crescimento do período anterior foi arruinado pelo estrangulamento econômico mundial gerado por este acontecimento. As origens de tal crise estão no fato de que os países produtores da maior quantidade de petróleo como a Arábia Saudita, o Irã, o Iraque e o Kuwait passaram a controlar o volume de suas produções e o preço do produto desde 1960, quando da criação da OPEP.

Todavia, este foi somente o Primeiro Choque do Petróleo. Em 1979, aconteceu um segundo episódio ou Segundo Choque do Petróleo. O estopim dessa vez foi a Revolução Iraniana, golpe que derrubou o líder iraniano, o Xá Reza Pahlevi (1919-1980), e que levou à instalação de uma República islâmica no país, com a subida ao poder do Aiatolá Khomeini.

O Irã se tornou um país comandado pelos religiosos e, portanto, virou uma teocracia. A produção de petróleo foi gravemente afetada, e a nação não conseguiu atender nem mesmo as suas necessidades internas. O Irã, que era na época o segundo maior exportador da OPEP, atrás apenas da Arábia Saudita, ficou praticamente fora do mercado. O preço do barril de petróleo, então, atingiu níveis recordes e agravou ainda mais a economia mundial no início da década de 1980.