Cantora, performer, pintora, poetisa e ativista política, Patrícia Lee Smith, mais conhecida como Patti Smith é uma das mais proeminentes e influentes cantoras da história do rock ainda viva e ativa, tão ou mais importante quanto Jim Morrison, Janis Joplin e Bob Dylan, a transgressora cantora de aparência andrógina é mundialmente conhecida por ser umas das percursoras do punk rock e por fundir perfeitamente lirismo introspectivo com a expansividade e visceralidade do rock.

De família pobre, Patti nasceu em Chicago em 1946, sempre teve uma grande sensibilidade para as artes, sobretudo a escrita. Amante de poetas como Rimbaud e William Blake, a jovem Patti se mudaria para Nova York no intuito de lançar-se como poetisa. Dormindo em abrigos e passando por dificuldades financeiras conheceria lá o amor de sua vida, o fotógrafo e artista plástico Robert Mapplethorpe.

Créditos: Klaus Hiltscher/Wikimedia Commons

Patti Smith durante show em Mannheim, na Alemanha

Juntos eles iniciariam suas respectivas carreiras, vivendo intensamente o cenário artístico efervescente da Nova York da época, frequentariam lugares badalados como o C.B.G.B e o Max’s Kansas City onde conheceriam artistas e poetas renomados como Andy Warhol, Allen Ginsberg e William Burroughs.

Nos anos 70, Patti já era conhecida por declamar constantemente seus poemas em bares como o citado CBGB. Lá conheceu o guitarrista Lenny Kaye a qual começa a fazer riffs durante suas apresentações. Foi o ponto inicial para a formação de uma rock band. Após se juntarem com outros músicos, o grupo intitulado de “Patti Smith Group” lança um pequeno compacto com duas músicas “Hey Joe”, cover de Jimi Hendrix e “Pissing in a river”.

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Capa do álbum "Horses", lançando em 1975

Logo depois é lançado em 1975 o primeiro álbum de estúdio: “Horses”, com a produção de John Cale do Velvet Underground e fotografia de Robert Mapplethorpe, no qual Patti aparece com a clássica indumentária masculina em preto em branco, muito parecida com Keith Richards.

O álbum é um clássico do punk e até hoje é muito disputado em lojas de discos. Dele pode-se destacar faixas como os covers “My generation” do Monkees e “Gloria” de Van Morrison que no álbum é mesclado com a polêmica poesia “Oath” de Patti, a qual inicia com o verso: “ Jesus morreu pelos pecados de alguém, não pelos meus”.

Outra faixa que merece destaque é a intensa“ Free Money”, enquanto a nossa conterrânea Rita Lee promete os anéis de saturno para seu amante na canção “desculpe o Auê”, Patti é mais direta e quer mesmo milhões de dólares para o seu amante:

“Toda noite antes de eu ir dormir
Encontro o bilhete, ganho na loteria
Pego as pérolas do mar
As transformo em dinheiro
E lhe compro todas as coisas que você precisa”.
Free Money

Créditos: Reprodução

Capa do disco "Easter"

Após o sucesso de “Horses” é lançado no ano seguinte “Radio Ethiopia”. Álbum um pouco mais experimental, em 1978 é lançado o terceiro álbum de estúdio do grupo “Easter”, disco que consagraria a banda mundialmente com a apaixonada canção “Because The Night” que emplacou nas paradas de sucesso e foi cover de diversas bandas como a 10,000 Maniacs.

“Desejo é fome, é o ar que respiro” – Because The Night

Ao todo a cantora contabiliza 11 álbuns de estúdio com o seu grupo. O mais recente “Banga” de 2012 e mais compactos; ao vivos; coletâneas; 16 livros publicados; participações em filmes e documentários. A artista faz incursões filosóficas e políticas, visões pessoais sobre a vida, desabafos e homenagens a outros artistas como Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Amy Winehouse, indispensável para amantes de música, sobretudo o gênero rock, Patti é uma das mais importantes artistas do século ainda viva, é atemporal e inspira gerações.

Para ouvir

  • “Horses” (1975) - Álbum de estreia da cantora.
  • “Easter” (1978) - Terceiro álbum da cantora, uma das faixas é a clássica “Because The Night” escrita por Bruce Springsteen, outra canção que merece destaque é “Rock’n roll Nigger” manifesto ácido anti-racista, nigger nos Estados Unidos é uma palavra usada em tom pejorativo direcionado à pessoas negras, similar a crioulo aqui, precedida pelo poema “Babylogue”, a canção fez muito sucesso na trilha sonora de “Assassinos por
    natureza” filme clássico de Oliver Stone de 1994.

“Jimi Hendrix era um crioulo, Jesus Cristo e a sua avó também”, Rock’n roll Nigger

Para ver

  • CBGB: O Berço do Punk Rock” Filme de 2013 essencial para quem quer entender o contexto da época e o surgimento da música Punk, nele Patti é interpretada pela atriz Mickey Sumner.
  • “Dream of life” Documentário de 2007 produzido por Steven Sebring, traz um olhar intimista sobre a vida da cantora.

Para ler

  • “Só garotos” (Just Kids) Premiado livro escrito pela cantora, lançado em 2010, o livro narra a história de seu relacionamento com Robert Mapplethorpe e o começo difícil da carreira de ambos, contém fotografias, desenhos e poemas do acervo pessoal da cantora, lançado aqui no Brasil pela Companhia das letras.
  • “Linha M” (M Train) Lançado em 2015, o livro segue a cronologia autobiográfica da cantora. Passagens sobre shows, viagens e impressões pessoais sobre diversos assuntos marcam o livro, um deleite para fãs.
  • “Mate-me por favor” (Volume I e II) (Não confundir com o filme nacional de mesmo nome.) Livro escrito pelos jornalistas Legs McNeil e Gillian Mccain, o livro narra o início do movimento punk na Nova York da década de 70 através de entrevistas com diversos artistas, como a própria Patti Smith, Iggy Pop, Lou Reed, David Bowie, Ramones e Debbie Harry do Blondie.