No mundo competitivo de hoje, o estresse está presente quase todo o tempo. Embora o estresse possa ser benéfico quando sob controle, tornando as pessoas mais ativas, em demasia pode causar diversos distúrbios físicos e emocionais, afetando diretamente o bem-estar, as relações sociais e até mesmo o desempenho profissional.

A modernidade, a industrialização e a urbanização trouxeram ainda, praticidade na alimentação, propiciada pela tecnologia: a oferta de alimentos atraentes, calóricos, escassos em nutrientes e com excesso de gordura saturada, colesterol, sódio, açúcares e álcool. Essa situação tem tornado os indivíduos cada vez mais inativos, obesos e cronicamente estressados, em razão, inclusive do ritmo alucinante de trabalho. Tendo em vista tais características da sociedade moderna e competitiva e seu efeito sobre a nutrição, o estresse se apresenta como fator de risco para muitas doenças.

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Para muitas pessoas, o estresse pode influenciar a quantidade e o tipo de alimento que ingerem

Para muitas pessoas, o estresse pode influenciar a quantidade e o tipo de alimento que ingerem. Aproximadamente 35-60% das pessoas aumentam a ingestão calórica, enquanto cerca de 25-40% das pessoas diminuem a ingestão calórica quando experimentam situações estressantes. Em ambos os grupos, o estresse altera a preferência pelo tipo de alimento, aumentando o consumo de alimentos altamente palatáveis, conhecidos como comfort foods.

Períodos de maior sobrecarga de trabalho se associam a um maior consumo de calorias e gorduras, principalmente em pessoas que usualmente fazem dietas hipocalóricas. A alta palatabilidade dos lipídeos e sua capacidade de induzir saciedade favorecem seu maior consumo. Este comportamento também pode ser beneficiado pela ampla variedade de alimentos altamente palatáveis disponíveis no mercado, os quais favoreceriam o enfrentamento dos agentes estressores diários e imprevisíveis.

Alterações na ingestão de alimento palatável são observadas também em roedores submetidos a estresse. Quando é ofertado a ratos alimento altamente palatável (como dieta de cafeteria, banha ou sacarose), eles preferem ingerir este tipo de alimento do que a ração comercial, e este tipo de alimento é capaz de promover a redução do principal hormônio liberado durante as respostas de estresse, a corticosterona.

Existe também uma estreita relação entre ingestão de alimentos ricos em gordura ou açúcar e a modulação de estados emocionais. O alimento palatável pode aliviar emoções negativas através da diminuição dos sinais de estresse e ansiedade após a exposição a agentes estressores. Além disso, pessoas que apresentaram humor deprimido aumentaram a preferência e o consumo de comfort foods e relataram a ingestão desses alimentos para aliviar os sentimentos aversivos. As reações emocionais positivas relacionadas ao sabor, densidade energética do alimento e suas ações recompensadoras e hedônicas têm função significativa sobre o comportamento de overeating e desenvolvimento de obesidade.

Enquanto a ingestão de alimentos palatáveis pode atenuar as respostas endócrinas de estresse, as emoções negativas e o estado de humor em curto período de tempo, o consumo excessivo leva ao aumento do tecido adiposo e à obesidade, aumentando consequentemente a vulnerabilidade à depressão e ansiedade. Portanto, deve-se incentivar outros comportamentos naturais recompensadores para o controle da obesidade e outros transtornos relacionados ao estresse.

Trabalho avalia estresse em estudantes da saúde da Unimonte