Por Jorge Lucas Lopes

Poucos a conheciam pelo real talento; Vivian Maier (1926-2009), americana crescida na França, bem peculiar e liberal para sua época, trabalhou por mais de 40 anos como babá em sua cidade natal, Nova York.

O que quase ninguém sabe é que, nas horas vagas, Vivian, bem ao estilo flanêur, desfrutava a cidade com sua Rolleiflex, fotografando o cotidiano das pessoas que passavam por ali; sua fotografia era caracterizada pelos estereótipos escancarados da sociedade underground de Nova York, e revelava como se podia ver arte em um ambiente, às vezes, tão degradado.

Créditos: Maloof Collection/Divulgação

Vivian Maier em autorretrato

Vivian Maier, acumuladora compulsiva e transtornada pelos problemas que a vida lhe proporcionou, tinha em seu acervo mais de 1.500 fotografias, mas nunca as mostrou para ninguém. Nem mesmo ela chegou a ver as imagens, pois a maioria de seus negativos só foi revelada após sua morte, aos 83 anos, em Chicago, em decorrência de um tombo.

Em 2007, um historiador chamado John Maloof, de 26 anos, arrematou, em um leilão de pequeno porte, uma caixa com vários filmes 35mm, fotografados por Vivian, por apenas U$S 400. Ainda guardou os negativos por quase dois anos. Só então foram revelados e, surpreendentemente, apreciados, a ponto de serem considerados “um dos maiores tesouros fotográficos do século 20”.

Atualmente, a obra de Maier está exposta em galerias de Nova Iorque, Los Angeles, Londres, Alemanha, Dinamarca, e, também, na cidade onde cresceu na França, Saint Julien en Champsaur. Podemos ver seu acervo, e nos encantar com a visão dessa magnífica street photographer, em www.vivianmaier.com.

Orientadores: professores Leo Cunha e Maurício Guilherme Silva Jr.