Por Guilherme Peixoto

“Quero desejar, antes do fim”, que os leitores deste texto consigam entender o simbolismo da obra de Belchior. Natural de Sobral, no Ceará, o cantor e compositor, falecido no fim de abril, notabilizou-se por letras que misturavam sentimentos pessoais, reflexões sobre o mundo e amores perdidos.

Créditos: Reprodução/YouTube

O cantor e compositor Belchior, que morreu em abril ao 70 anos

Apesar de já conhecer a obra do “Rapaz Latino-Americano”, aproximei-me de Belchior em meados do ano passado, quando atravessava um momento de incertezas, tal qual aqueles cantados pelo “Bigode”. Era reconfortante escutar “Alucinação”, faixa-título de um dos mais famosos álbuns do cearense, e ver que o desespero não era exclusividade minha. Aliás, ele, que fora moda em 76, parecia ter voltado com tudo, 40 anos depois.

Belchior parecia viver sob constante frustração. Seu autoexílio causou espanto: como um artista tão renomado conseguiu renunciar aos benefícios da fama? Foram perguntas assim que me fizeram admirar, cada vez mais, as canções do “Bigode”. Com elas, aprendi que posso ser um “Sujeito de Sorte”, simplesmente, por passar ileso aos tempos de crise. Também descobri que nada dura para sempre na “Divina Comédia” chamada vida.

Quando trocou a faculdade de Medicina, em Fortaleza, pela vida de músico no Rio de Janeiro, Belchior deu mostras de sua determinação. Com seu “Coração Selvagem”, ele desobedeceu às convenções sociais e foi em busca de seu sonho, mesmo sem saber o que lhe esperava. Com isso, percebi que, para conseguir o que se deseja, é necessário correr riscos e recomeçar, sempre que for preciso.

Questionar, amar e mudar as coisas eram os ingredientes principais da vida de Belchior. A mim, mero mortal, cabe o ato de imprimir as letras de suas canções, guardar no “bolso do blusão” e usá-las sempre que necessário.

Orientadores: professores Leo Cunha e Maurício Guilherme Silva Jr.