Por Marjorie Riff 

Conhecido mundialmente por suas composições fascinantes e sensíveis, o russo Piotr Ilitch Tchaikovsky acompanhava, há exatos 140 anos, a estreia de “O Lago dos Cisnes”. Recordista de público até os dias de hoje nas companhias de teatro e dança ao redor do mundo, o espetáculo é sinônimo de excelência sinfônica. Contudo, em sua primeira noite de apresentação, no Teatro Bolshoi, em Moscou, a obra foi considerada um fracasso, e Tchaikovsky não viveria o bastante para vê-la se tornar um fenômeno, após a segunda apresentação, em 1805, na cidade de São Petersburgo.

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Bailarinos do Russian State Ballet durante apresentação do 'O Lago dos Cisnes', em Porto Velho

O sucesso póstumo deveu-se a uma nova coreografia, e a um novo cenário, em comunhão, enfim, com a trilha sonora elaborada por Tchaikovsky. O enredo conta, em quatro atos, o drama vivido pela personagem Odette, jovem que, durante o dia, assume a forma de um cisne branco, após ser enfeitiçada pelo maligno Von Rothbart. Nas poucas horas da noite em que volta a ser humana, Odette conhece e se apaixona pelo príncipe Siegfried, que retribui sua paixão, à primeira vista, ao assistir a sua transformação. Siegfried completava 21 anos e deixou a própria festa de aniversário para seguir e caçar os cisnes que o encantaram nas proximidades de seu castelo. Para quebrar o feitiço, Odette precisava que um jovem declarasse seu puro amor a ela, e não a outra, ou ficaria presa, como cisne, para sempre.

Deixando sua amada para trás ao retornar à festa, o príncipe é enganado por Odile, jovem filha de Von Rothbart, e, também, o ardiloso cisne negro. Siegfried declara seu amor a Odile pensando tratar-se de Odette. Esta, por sua vez, decide colocar fim à própria vida, para se ver livre do feitiço e da decepção amorosa. Porém, em um final inesperado, o príncipe vai ao encontro de Odette e decide se afundar no lago junto a ela, provando seu amor e quebrando o encanto.

A obra inspirou diversas adaptações, nas artes plásticas, no cinema, na animação e na literatura. Murais criados pelo artista brasileiro Eduardo Kobra, expostos em Moscou, retratam a bailarina Maya Plisetskaya. Voltada às crianças, uma animação é protagonizada pela boneca Barbie. Aos amantes de cinema, "Cisne Negro", de 2010, com Natalie Portman, vencedora do Oscar como atriz principal, é considerada a melhor e mais completa adaptação do clássico.

Orientadores: professores Leo Cunha e Maurício Guilherme Silva Jr.