Por Bruna Valentim

Mansplaining, slutshaming, sororidade; mais um monte de palavra em inglês, termos difíceis e significados literais de palavras até então banais.

Autoestima. Ganhei quando me vi de verdade, quando me reconheci como mulher, negra e ainda assim bonita. Mesmo com meu cabelo crespo, mesmo eventualmente acima do peso.

 Liberdade. Senti. O poder vital que é estar e poder fazer o que eu bem decidir. Casar, ter filhos e me tornar dona de casa aos 21, congelar meus óvulos e deixar assim para sempre. Viajar o mundo, trabalhar em navios, ser executiva em uma multinacional ou viver no litoral cultivando alimentos livres de agrotóxicos.

Créditos: nito100/iStock

Ser feminista é afirmar que eu estou aqui e não vou sair

Coragem. Para lutar todos os dias contra o mundo. É muitas vezes necessário ser brava, no sentido mais fiel da palavra. É preciso coragem diariamente ao levantar da cama e ao voltar para casa. Aprendi a ter valentia para falar mais alto, me fazer entender e repetir para quem a princípio não ouvir. Ser feminista é afirmar que eu estou aqui e não vou sair.

Tive consciência do meu corpo e aprendi que a única pessoa no mundo que precisa aceita-lo sou eu, com o peso que for, com as marcas que a vida trouxe, com os sinais que me acompanham desde o nascimento. Demorei alguns anos e foi difícil, como os casos de amor mais intensos são, temos altos e baixos, mas essa é certamente a relação mais bonita que eu construí.

Aprendi meu lugar no mundo e nos relacionamentos. Aprendi a me impor e a levantar a voz se necessário. Não ter medo. Me manter fiel as minhas vontades e princípios, não me diminuir por outra pessoa e a não admitir nada menos que amor e respeito.

Aprendi a olhar mais para o lado ter empatia de verdade, procuro conhecer as mulheres ao meu redor, apoiar seus trabalhos e suas artes. Escutar, falar quando necessário e respeitar. Meu lugar de fala, outra ideologia política, as escolhas de vida. Estar sempre lá por elas quando tudo for bem-sucedido ou quando tudo der errado. Nunca julgar, sempre aconselhar. Hoje eu sei que sozinha somos boas, mas juntas somos inegavelmente mais fortes e que andando lado a lado é o único jeito de seguirmos em frente.